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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Anticorpos contra covid-19 duram ao menos 3 meses, dizem estudos

 09 de outubro de 2020

Os anticorpos contra o novo coronavírus gerados por pessoas infectadas continuam presentes no sangue e na saliva destes indivíduos por pelo menos três meses após a manifestação dos primeiros sintomas da doença, segundo dois estudos publicados na quinta-feira (8) pela revista Science. As pesquisas, que buscam respostas para uma das perguntas mais comuns sobre a Covid-19, se somam a outras já existentes sobre a imunidade ao vírus em pessoas curadas, e algumas delas apontam que os anticorpos podem continuar protegendo os organismos por até seis meses. Ambos os estudos publicados na quinta-feira (8) concluíram que as imunoglobulinas G (IgG) são os anticorpos de maior duração e que podem ser detectados no sangue e na saliva dos pacientes por pelo menos três meses, o que faz com que sejam índices "promissores" para a detecção e avaliação das respostas imunológicas à Covid-19. Além disso, o fato de que os níveis desses anticorpos sejam semelhantes tanto no sangue como na saliva, sugere que esta última poderia passar a ser utilizada como alternativa para a realização de testes de IgG. Um dos estudos, conduzido pela imunologista Anita Iyer, da Universidade de Boston (EUA), analisou 343 pacientes americanos com Covid-19 - 93% dos quais tiveram que ser internados pela doença -, durante um máximo de 122 dias após o aparecimento dos primeiros sintomas, e comparou seus níveis de anticorpos com os encontrados em amostras de sangue de 1.548 pessoas coletadas antes da pandemia. Os resultados obtidos apontaram que as imunoglobulinas M (IgM) e A (IgA) permaneciam ativas por um curto período, se equiparando a níveis de concentração insignificantes 49 e 71 dias, respectivamente, após os primeiros sintomas. Por outro lado, o número de imunoglobulinas G contra a proteína Spike do coronavírus - recurso que o vírus usa para invadir as células humanas - "apresentou uma queda lenta durante um período de 90 dias", e apenas três dos voluntários que participaram do estudo zeraram os níveis de IgG dentro deste prazo. A outra pesquisa, liderada pela imunologista Baweleta Isho, da Universidade de Toronto, que analisou amostras de sangue de 739 pessoas e a saliva de 247, entre infectadas e saudáveis, e constatou que os níveis de IgG permaneciam "relativamente estáveis" durante um período de 115 dias após a aparição dos primeiros sintomas, apesar de apresentarem uma "queda brusca nos últimos 10 dias deste intervalo de tempo", o que "reflete" as reduções de IgA e IgM. Os dados mostraram ainda que picos de IgG se produziam entre o 16º e o 30º dia, tanto no sangue como na saliva dos pacientes contaminados. De acordo com Jennifer Gommerman, coautora deste artigo científico e professora da Universidade de Toronto, o estudo conduzido no Canadá mostra que "os anticorpos IgG contra a proteína Spike do vírus são relativamente duradouros tanto no sangue como na saliva". Este é o primeiro estudo que, segundo Gommerman, comprova que os anticorpos podem ser encontrados na saliva em níveis que correspondem diretamente aos detectados no sangue, o que poderia facilitar a coleta de amostras para a realização de testes de IgG, feitos atualmente apenas com o plasma sanguíneo.

Fonte: R7 Notícias

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