sábado, 3 de março de 2018

Polícia detalha ação de médico suspeito de estuprar pacientes no Recife; uma das vítimas estava anestesiada

02 de março de 2018
Depois da prisão de Kid Nélio Souza de Melo, médico de 35 anos suspeito de estuprar pacientes em unidades de saúde do Recife, a Polícia Civil contabiliza, pelo menos, nove vítimas, entre 18 e 39 anos, que relataram ter sido abusadas pelo profissional. Até esta sexta-feira (2), o crime mais antigo registrado pela corporação ocorreu em 2016. Em um dos relatos, uma das vítimas afirmou ter sido abusada após ser anestesiada. (Veja vídeo acima) Relatado por uma vítima de 30 anos, o estupro ocorreu após ela ter sido sedada para uma cirurgia em um dos dedos do pé. "Ela afirma que logo depois da anestesia, sentiu que ele tirou a calcinha dela. Ao chegar em casa, ela sentiu dores na genitália e percebeu que estava com um sangramento. Apesar de vagas, as lembranças dela também dão conta de que houve penetração", explica a delegada. Atuando como ortopedista, ele atendia na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife, da qual foi afastado das atividades, e em um hospital particular cujo endereço não foi divulgado pela polícia. De acordo com a delegada Ana Elisa Sobreira, responsável pelas investigações, o médico atuava seguindo uma "ordem" de ações. "As pacientes chegavam para serem atendidas e ele fazia um exame físico para saber onde era a dor. Em seguida, elas iam fazer os exames e voltavam, quando eram abusadas por ele", explica. Ainda segundo a Polícia Civil, as situações variavam conforme cada paciente. "Nem sempre havia conjunção carnal. Em um dos casos, ele tocava as vítimas por cima da roupa, em outros casos havia toques por debaixo das roupas íntimas. Ele se aproveitava da condição de médico para abusar das vítimas, que ficavam na dúvida se as atitudes que ele tomava eram realmente normais durante as consultas", afirma a delegada Ana Elisa Sobreira. O Conselho Regional de Medicina em Pernambuco (Cremepe) abriu sindicância para apurar a conduta do profissional. Durante o depoimento nesta sexta (2), o homem apresentava tranquilidade, segundo a polícia. "Questionamos se ele gostaria de fazer uma coleta de material genético para confrontar com o DNA encontrado nas vítimas, mas ele se recusou porque disse que provavelmente era dele. Ele confirmou as conjunções carnais, mas negou os outros sete estupros que registramos", alega a delegada responsável pelo caso. O G1 tenta localizar a defesa do suspeito.
Criminoso em série
Depois de uma jovem de 18 anos ter afirmado ser vítima de um estupro na UPA da Imbiribeira, a Polícia Civil recebeu outras denúncias semelhantes. "A partir do quarto depoimento, pudemos notar o mesmo perfil", explica Joselito Amaral. Após o início das investigações, a Polícia Civil fez quatro intimações para que o médico prestasse depoimento. "Ele é do Rio Grande do Norte, mas mora no Recife. Ele ficou entre os dois locais nesse período e, enquanto isso, fizemos uma investigação sigilosa e conseguimos um mandado de prisão contra ele", relata a gestora do Departamento de Polícia da Mulher, Gleide Angelo. Durante depoimento nesta sexta (4), o médico afirmou que os dois casos de conjunção carnal foram consensuais. "No caso da jovem de 18 anos, que registrou a queixa no dia 21 de fevereiro, ele disse ter se sentido seduzido e que houve 'clima' para que tudo acontecesse", relata a delegada Ana Elisa Sobreira. De acordo com a delegada Gleide Angelo, o profissional de saúde acreditava que estaria liberado após mencionar que as pacientes consentiram as relações sexuais. "Ele ficou surpreso com o mandado de prisão", afirma. Depois de prestar depoimento no Departamento de Polícia da Mulher, no Bairro do Recife, no Centro, ele saiu do local pouco antes das 17h e seguiu para o Centro de Observação e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife. Para cada caso de estupro, a pena pode ser de até dez anos de prisão. No caso de estupro de vulnerável, a pena pode ser de até 12 anos. Questionado se o criminoso ficaria em um local isolado no Cotel, Joselito Amaral explicou que essa é uma medida a ser adotada pela Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres). "Isso não é nossa responsabilidade. Cabe ao sistema penitenciário decidir se isso será adotado", explica. A reportagem entrou em contato com a pasta e aguarda resposta.

Fonte: G1 PE

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