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terça-feira, 30 de maio de 2017

Congresso cria CPI mista do BNDES para investigar empréstimos à JBS

30 de Maio de 2017

O presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), leu nesta terça-feira (30) o pedido de criação de uma CPI mista (formada por deputados e senadores) para investigar os empréstimos tomados pela holding J&F – controladora do frigorífico JBS – junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A partir da leitura em plenário, será feito o cálculo para distribuir as vagas na comissão em relação ao tamanho dos partidos. Em seguida, os líderes partidários terão prazo para indicar os membros. Com as vagas preenchidas, deverá ser marcada uma data para a instalação da comissão. A CPI mista deverá ser composta por 16 senadores e 16 deputados titulares. O colegiado terá prazo de 120 dias (prorrogáveis por mais dois meses) para apresentar um relatório final. A comissão terá como foco da investigação os empréstimos concedidos pelo BNDES à JBS entre 2007 e 2016, durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Os parlamentares também querem apurar os termos e condições para a realização das delações dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, e de executivos da J&F, realizadas com a Procuradoria Geral da República e homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A coleta de assinaturas de parlamentares necessárias para criar a CPI teve início assim que foi revelado o conteúdo das delações. Em seus depoimentos, os dirigentes do grupo empresarial admitiram pagamentos de propinas a políticos para obter incentivos fiscais e conseguir dinheiro do BNDES e de fundos de pensão. De acordo com Joesley Batista, o frigorífico JBS exercia influência no BNDES por meio do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. O empresário contou aos procuradores que pagava como propina uma taxa de 4% do valor de cada contrato aprovado no banco público de fomento, assim como dos aportes financeiros feitos por meio da BNDESpar, o braço da instituição financeira que investe em participações de empresas e é acionista da JBS. O frigorífico dos irmãos Batista se tornou a maior empresa de carnes do mundo com o apoio do BNDES. O faturamento da companhia saltou de R$ 4 bilhões para R$ 170 bilhões entre 2006 e 2016, impulsionado por aquisições, como a compra do frigorífico Bertin e das empresas americanas Swift e Pilgrim’s Pride, financiadas pelo BNDES.
Políticos envolvidos na delação da JBS (Foto: Editoria de Arte/G1)
Fonte: G1

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