Petrocar Transportes

Petrocar Transportes

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Justiça aceita denúncia e Sérgio Cabral vira réu pela quarta vez

14 de Fevereiro de 2017
A Justiça Federal aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) nesta terça-feira (14) e tornou o ex-governador Sérgio Cabral Filho réu pela quarta vez em desdobramentos da força-tarefa da operação Lava Jato. Só a denúncia remetida pelo MPF à 7ª Vara Federal aponta 184 crimes de lavagem de dinheiro cometidos por Cabral, segundo os investigadores. O ex-governador, a mulher dele, Adriana Ancelmo, e outras nove pessoas são acusadas de lavar mais de R$ 39 milhões em 10 meses. A denúncia foi aceita integralmente, segundo a Justiça Federal. Os documentos apresentados ao juiz Marcelo Bretas são resultantes das operações Calicute e Eficiência, desdobramentos da Lava Jato no Rio. Preso em Bangu, o ex-governador já responde a dois processos na 7ª Vara Federal do Rio e a um na 13ª Vara Federal de Curitiba, que tem o juiz Sérgio Moro como responsável. O mais recente deles tinha sido aberto na última sexta-feira (10). As informações sobre a nova denúncia foram divulgadas pela assessoria de imprensa do MPF. Além de Cabral, também foram acusados por crimes de lavagem de dinheiro: 

*Carlos Miranda, operador do esquema: 147 crimes 
*Carlos Bezerra, operador: 97 crimes 
*Sérgio Castro de Oliveira, operador: 6 crimes 
*Ary Ferreira da Costa Filho, ex-assessor de Cabral: 2 crimes 
*Adriana Ancelmo, mulher de Cabral: 7 crimes 
*Thiago de Aragão Gonçalves, sócio de Adriana: 7 crimes 
*Francisco de Assis Neto, publicitário: 29 crimes 
*Álvaro José Galliez Novis, operador: 32 crimes 
*Marcelo Hasson Chebar, operador financeiro e agora delator da investigação 
*Renato Hasson Chebar, operador e delator da investigação 

O MPF diz que os doleiros e irmãos Marcelo e Renato Chebar faziam parte da organização como operadores financeiros. A denúncia trata da lavagem de R$ 39.757.947,69 praticadas no Brasil. Sérgio de Oliveira, Thiago de Aragão, Francisco de Assis e Álvaro Novis também foram denunciados por integrarem a organização criminosa que seria liderada pelo ex-governador. 

Defesas
A defesa de Sérgio Cabral não vai se manifestar. Os advogados de Adriana Ancelmo, mulher de Cabral, disseram que ainda desconhecem os termos da denúncia e só vão se manifestar no processo. A defesa de Carlos Miranda também não quis comentar a denúncia. A equipe de reportagem não conseguimos contato com os advogados dos outros acusados. Cabral está preso desde novembro, quando foi deflagrada a Operação Calicute, também desdobrada da Lava Jato. Na segunda-feira, ele passou mal no Complexo Penitenciário de Gericinó e foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dr. Hamilton Agostinho de Castro Vieira, localizada no complexo. Após realização de exames, foi liberado e voltou à cela. A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) informou que Cabral passa bem. 

Lava Jato no Rio
No texto divulgado nesta terça, procuradores fazem um balanço das investigações da Calicute e da Eficiência, que apuram a ocultação de R$ 317.874.876. Segundo os investigadores, esse montante foi dividido da seguinte forma: 

*R$ 39.757.947,69, guardados com os irmãos Chebar no Brasil 
*US$ 100.160.304,90, depositados em dinheiro em contas em nome dos irmãos Chebar e outros, no exterior 
*1.008.708,00 euros, ocultados sob a forma de diamantes, guardados em cofre no exterior 
*US$ 1.054.989,90, ocultados sob a forma de diamantes, guardados em cofre no exterior 
*US$ 247.950,00, ocultados sob a forma de quatro quilos e meio de ouro, guardados em cofre no exterior 

Parte do valor já foi recuperado, segundo o MPF.

R$ 4 milhões por mês
Segundo a denúncia desta terça, os irmãos Chebar recebiam dos demais suspeitos dinheiro em espécie oriundo dos crimes de corrupção praticados, "custodiavam tais recursos em seu escritório e os distribuíam posteriormente para pagamentos de despesas em favor dos membros do grupo criminoso". Os colaboradores entregaram ao MPF uma planilha de controle de caixa, que detalhava onde o dinheiro era utilizado. De 1º de agosto de 2014 a 10 de junho de 2015, foram gastos R$ 39.757.947,69 – média de cerca R$ 4 milhões por mês. De acordo com o procuradores, as provas reunidas nas operações Calicute e Eficiência comprovaram que a organização criminosa chefiada por Cabral promoveu a lavagem de ativos, no Brasil, por sete principais formas: 

*pagamento de despesas pessoais de Cabral e familiares 
*pagamento de despesas pessoais de Carlos Miranda e familiares 
*movimentação de recursos ilícitos para Carlos Bezerra 
*distribuição de recursos ilícitos para Sérgio de Oliveira 
*envio de valores ilícitos para Thiago Aragão 
*envio de valores ilícitos para Francisco de Assis Neto 
*entrega de valores ilícitos por Álvaro Novis aos colaboradores 

Segundo os procuradores da República Leonardo Cardoso de Freitas, José Augusto Vagos, Eduardo El Hage, Renato Silva de Oliveira, Rodrigo Timóteo, Rafael Barretto, Sérgio Pinel, Jessé Ambrósio Junior e Lauro Coelho Júnior, que assinam a denúncia, "o vultuoso volume de recursos obtidos em razão dos crimes praticados pelo grupo criminoso exigia uma forte estrutura destinada à movimentação e lavagem do dinheiro da propina". 

Propina de Eike
Na semana passada, os procuradores da Lava jato no Rio denunciaram o ex-governador Cabral, o empresário Eike Batista e mais sete pessoas por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Essa denúncia focou em dois pagamentos feitos por Eike ao grupo: um de US$ 16,5 milhões de propinas ao ex-governador Cabral e um depósito de R$ 1 milhão à conta do escritório de advocacia da ex-primeira-dama do Rio Adriana Ancelmo.

Fonte: G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário