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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Aumentam os casos de mortes por excesso de trabalho no Japão e governo promete impor limites para horas extras

13 de Fevereiro de 2017
No Japão a dedicação excessiva ao trabalho se tornou problema de saúde pública, principalmente, pelo abuso completamente descontrolado de horas extras. Em Tóquio, prédios com arquitetura arrojada nos remetem ao futuro. Mas quem trabalha neles não imaginava que o futuro fosse tão puxado. Com falta de mão de obra em vários setores, o Japão fecha os olhos a quem trabalha mais do que deve ou pode. Foram a disciplina e o esforço da população japonesa que fizeram a economia do país crescer tanto. A dedicação à empresa, aos colegas, isso ainda é muito forte. Às 9h, homens e mulheres chegam para trabalhar e a maioria deles não sabe a que horas vai sair. O extremo dessa dedicação tem nome: “karoshi”, significa "morte por excesso de trabalho”. O Japão não tem limite para horas extras e muitas empresas exploram o senso de responsabilidade dos funcionários. O governo calcula que um quinto da força de trabalho faça mais de 80 horas extras por mês. Um prédio de uma grande agência de publicidade passou a apagar suas luzes às 22h para forçar os funcionários a ir para casa. Foi depois do que aconteceu a Matsuri Takahashi, de 24 anos, um caso que mobilizou o Japão. Um mês antes de morrer, ela havia feito 105 horas extras, uma média de cinco horas extras por dia. O número mais recente é de 2015: 189 mortes, pouco mais da metade por problemas de saúde; o restante, suicídios. A senhora Noriko Nakahara lembra a pesada carga imposta ao marido, pediatra. O doutor Nakahara chegava a trabalhar 36 horas seguidas, fazia até oito plantões por mês. Não resistiu à pressão e ela ficou viúva, com três filhos. Foram 11 anos para a Justiça reconhecer a morte dele como um "acidente de trabalho." "Eu pedia para ele mudar de hospital, mas ele falava que a clínica pediátrica iria fechar. Muitas pessoas amam a profissão e passam dos limites", lamenta a viúva Noriko Nakahara. Um professor de direito diz que o "karoshi" é um fenômeno antigo, e para ele: "Nada vai funcionar se as empresas não mudarem: tem que diminuir o volume de trabalho, deve-se contratar mais gente, se não a pessoa fica trabalhando de casa ou mesmo no escuro." O governo apertou a fiscalização nas empresas e quer aprovar leis para impor limites para evitar que esforçados funcionários se transformem em vítimas.

Fonte: Jornal Nacional

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