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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Laudo da PF aponta contradição em depoimento de Lula feito em março

25 de Agosto de 2016
Um relatório da Polícia Federal aponta contradições em relação ao depoimento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou, quando foi alvo de um mandado de condução coercitiva, em março deste ano. De acordo com o documento, Lula disse que não conhecia o ex-diretor da construtora OAS Paulo Gordilho. No entanto, na análise do celular de Gordilho, havia uma foto em que os dois aparecem. O documento consta em um inquérito que investiga indícios de que a OAS possa ter doado um sítio em Atibaia e um apartamento tríplex no Guarujá, ambos no Estado de São Paulo, ao ex-presidente. A suspeita é que se trata de pagamento de propina, em função de contratos firmados entre a OAS e o governo federal. Atualmente, nenhum dos imóveis consta em nome de Lula ou de parentes. O apartamento no Guarujá pertence à OAS e o sítio a dois sócios de um dos filhos do ex-presidente. No entanto, a polícia acredita que a situação legal dos bens pode na verdade se tratar de ocultação de patrimônio. De acordo com o relatório da Polícia Federal, Gordilho se encontrou pessoalmente pelo menos uma vez com Lula. Mensagens de texto entre o ex-diretor da OAS e o ex-presidente da empresa, Léo Pinheiro, apontam que tanto o ex-presidente, quanto a ex-primeira-dama podem ter participado diretamente das obras de reforma do sítio e também do apartamento. Ainda conforme o relatório, Lula disse no depoimento que Gordilho não teria participado da reforma. “Destaca-se também que em outro momento da oitiva, quando questionado se Paulo Gordilho teria alguma relação com o tríplex no Condomínio Solaris localizado no Guarujá, LULA responde negativamente, de forma que, mais uma vez, as declarações são no sentido contrário dos fatos, pois em troca de mensagens entre Paulo Gordilho e Léo Pinheiro, quando este questiona Paulo Gordilho se o projeto da cozinha do Guarujá estaria pronto, Paulo Gordilho responde de forma”, diz trecho do documento da Polícia Federal. A defesa do ex-presidente tem afirmado que Lula usava sim o sítio em Atibaia, mas que o ex-presidente não é dono do imóvel. Em relação ao apartamento, os advogados do ex-presidente afirmam que a ex-primeira-dama, Marisa Letícia, havia adquirido uma cota para a compra do imóvel. No entanto, como a obra não foi entregue a tempo, ela desistiu e recebeu o reembolso por parte da OAS, que assumiu a parte final da construção. 

Outro lado
Procurada, a OAS não quis comentar o assunto. O advogado de Léo Pinheiro também preferiu não se manifestar. Paulo Gordilho foi procurado e não quis falar sobre o o assunto. Em nota, o Instituto Lula voltou a dizer que o sítio e o apartamento não pertencem ao ex-presidente. Sobre a contradição apontada pela Polícia Federal, a entidade disse que Lula respondeu que não conhecia Paulo Gordilho pelo nome. "O ex-presidente não é obrigado a conhecer ou lembrar de todas as pessoas com quem tirou foto, muito menos o nome completo de alguém que tirou foto com ele 2 anos antes do depoimento. O ex-presidente não cometeu nenhum crime, tendo agido dentro da lei antes, durante e depois da presidência da República", diz trecho da nota. 

Prorrogação de prazo
A Polícia Federal também solicitou ao juiz Sérgio Moro que prorrogasse por mais 90 dias o inquérito que trata sobre o triplex no Guarujá. O Ministério Público Federal já se manifestou sobre o pedido e se posicionou favorável à prorrogação. Moro, no entanto, ainda não decidiu se vai aceitar o pedido.

Fonte: G1

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