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quarta-feira, 30 de março de 2016

Advogado do Colégio Auxiliadora garante que funcionários citados nas investigações do Caso Beatriz não trabalham mais na instituição e taxa atitude do delegado como “precipitada”

30 de Março de 2016
Após o delegado Marceone Ferreira, responsável pelas investigações do caso da menina Beatriz Angélica Mota, de 07 anos, assassinada nas dependências do Colégio Auxiliadora, em Petrolina, em dezembro passado, afirmar que cinco funcionários da citada escola são investigados por envolvimento no crime, o advogado da instituição de ensino, Clailson Ribeiro, concedeu entrevista a este Blog na tarde de hoje (30) e garantiu que os “personagens” citados pelo delegado não trabalham mais no colégio. Clailson ainda taxou a atitude de Marceone, que não revelou a identidade dos funcionários, como “precipitada”. “Inicialmente, essa informação nos causou um pouco de espanto, já que o inquérito estaria tramitando em sigilo. Sem apontar nomes, ele indica que teriam cinco personagens, como assim ele denomina, descrevendo algumas condutas desses personagens e que esses personagens são do colégio. Na medida em que o delegado, beirando a irresponsabilidade, passa uma afirmação desta, ele coloca em xeque não só cinco funcionários, mas todos os funcionários do colégio, já que ele não cita nomes, não apresenta nada”, disse o advogado. De acordo com Clailson, não apenas cinco funcionários deram depoimentos divergentes, mas sete. “Quando nós identificamos as condutas que ele apontou para cada um desses personagens, o que nós podemos afirmar é que nenhum desses funcionários se encontram mais nos quadros do colégio. Nós acompanhamos os depoimentos e notamos que haviam divergências nos depoimentos de alguns funcionários nossos, e, preventivamente, nós iniciamos o desligamento desses funcionários. Nós identificamos não cinco, mas sete pessoas com divergências de informações. Não necessariamente que essas divergências colocam essas pessoas como autores do crime, mas, pelo fato de apresentar depoimentos que eram divergentes, de uma certa forma quebrou um pouco a confiança do colégio”, afirmou. O advogado Clailson Ribeiro foi a fundo e disse que, uma vez que a investigação segue em sigilo, o delegado não teria motivos para divulgar que funcionários do colégio estão sendo investigados por suposto envolvimento no crime. Ele ainda disse que a atitude de Marceone foi apressada. “Nos não estamos defendendo ninguém, não temos procuração para isso. Mas parece que a policia também não tem nenhum tipo de elemento substancial a ponto de pedir a prisão de algum suspeito. Achamos que a atitude do delegado, nesse ponto, foi realmente precipitada.” Clailson Ribeiro ainda falou sobre a questão das três chaves que desapareceram em novembro passado e que, segundo o delegado Marceone, o registro do desparecimento foi feito num livreto do colégio. O advogado garantiu que as três chaves que sumiram não são de portões que dão acesso à rua, mas sim à parte interna do colégio. Ele também disse que isso já tinha ocorrido outras vezes e que a escola providenciou as cópias dessas chaves. Ele também disse que a polícia “exagerou” ao informar que teriam cerca de 2 mil pessoas na festa de formatura. Segundo Clailson, cerca de 1.400 pessoas estavam no evento. 

“Transferência de responsabilidade”
Ao comentar sobre a demora no andamento das investigações, Clailson afirmou que, devido à falta de êxito na elucidação do crime, notou uma tentativa de transferência de responsabilidade. “Notamos que há uma certa tentativa de transferência, de responsabilidade, pela falta de êxito nas investigações, ao colégio, que nós repudiamos veementemente esse tipo de situação. A polícia tem que ser responsável e dá o resultado para a população, sim, pelos meios próprios, porque ela é a condutora das investigações. E não atribuir a responsabilidade porque o colégio não tinha iluminação, que a câmera não pegou no local adequado…enfim, esse tipo de coisa a gente não pode aceitar, como transferência de responsabilidade, para que a polícia possa encontrar quem realmente cometeu esse crime”, disparou Clailson. Sobre a “pressão” da sociedade, do colégio e da imprensa em relação à elucidação do crime, o advogado disse que o delegado está tendo tempo para isso, mas os resultados não estão aparecendo e estão surgindo novas dúvidas. Ele também disse que o colégio vai cobrar do governo do Estado para investir mais nas investigações e parar de “aterrorizar” a população com “afirmações generalizadas”. “O crime parece ter sido muito bem arquitetado, já que a polícia, passados quatro meses, ainda não chegou à sua autoria. Se não foi muito bem arquitetado, é porque deve está acontecendo uma falha muito grande nessa investigação. Nós vamos cobrar, de maneira mais veemente, do secretário de Segurança Pública de Pernambuco [Alessandro Carvalho] que, ao invés de se preocupar em ficar aterrorizando a população, dizendo que tem funcionários do colégio sem apontar nomes, fazendo afirmação de maneira genérica, a polícia deveria se preocupar mais em aprofundar as investigações e realmente chegar ao autor do crime. O delegado fala que o caso é muito complexo, que demanda tempo. O tempo ele está tendo, mas os resultados, aparentemente, quanto mais o tempo passa, percebemos que estão aparecendo mais dúvidas do que elucidações. Por exemplo, até o local do crime agora aparenta não ser mais o local onde a vítima foi encontrada. Segundo palavras do delegado, é quase certa que o crime não teria sido no local onde a vítima teria sido encontrada. Essa informação é bastante nova e a gente vê com bastante preocupação, porque, se não foi lá [no depósito de material esportivo desativado que o crime aconteceu], passados quatro meses, eu acho que a polícia não tem condições de, tecnicamente, descobrir onde foi”, finalizou.

Fonte: Blog do Carlos Britto

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