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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Vale do São Francisco vai ter rodízio de água e possível impacto na produção agrícola

03 de Novembro de 2015

Estratégia comum diante da escassez de água para o abastecimento humano, o sistema de rodízio, também, passará a ser implantado na fruticultura irrigada no Interior do Estado. Com o Reservatório de Sobradinho-BA, batendo recordes diários em relação à queda do nível útil, os produtores do Distrito de Irrigação Senador Nilo Coelho, em Petrolina, estão se preparando para continuar produzindo o mínimo com o volume morto da barragem. A previsão é de que daqui a um mês o período de irrigação diminua e, posteriormente, o uso da água seja intercalada dia sim, dia não. Os impactos, claro, de­vem refletir na qualidade dos produtos e nos preços ao consumidor final. Produtor de manga e uva há 15 anos, e presidente do Sindicato Rural Patronal de Petrolina, Edis Matsumoto, lembra que a única vez que o Vale do São Francisco passou por rodízio foi em 2001. Sem números do prejuízo a curto prazo, o empresário calcula que a recuperação das perdas acumuladas desde o início deste ano só acontecerão em no mínimo dez anos. “A maioria das nossas frutas são perenes e de árvores que levam de três a quatro anos para chegar a sua capacidade produtiva, se passarem um mês sem água elas morrerão e temos que investir muito para ter frutas cinco anos depois”, afirmou. O Vale do Submédio São Francisco concentra o maior polo de fruticultura irrigado do Brasil. As mangas são cultivadas em 23,3 mil hectares e as uvas finas de mesa, em uma área de 12,1 mil hectares. Por ano, cerca de 140 mil toneladas de frutas deixam a região com destino ao Exterior. A atividade da fruticultura em geral emprega 240 mil pessoas na época da concentração da safra, especialmente no segundo semestre. Para manter essa economia, os produtores contam com a água de Sobradinho, atualmente com uma vazão de 900 metros cúbicos por segundo (m³/s). Para tentar salvar um polo que só com o comércio exterior movimenta US$ 800 milhões por ano, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) intensificou a implantação do sistema de bombas flutuantes. De acordo com a assessoria de Imprensa do órgão ligado ao Ministério da Integração Nacional, operários que executam a construção do canal - que receberá água do volume morto - trabalham 20 horas diárias, com 67 veículos. A previsão é concluir o projeto na metade do mês que vem. “Isso é tapar o sol com a peneira. Para a irrigação nós precisamos de uma vazão de 17 m³/s, essa instalação só terá 9m³/s. A Prefeitura de Petrolina e o Governo de Pernambuco já se comprometeram para complementar o volume de água e estamos esperando”, comentou Matsumoto. 

Fonte: Folha de Pernambuco

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