Petrocar Transportes

Petrocar Transportes

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Mulheres denunciam esquema de prostituição dentro de penitenciária de Petrolina: “Tem preso que leva até três”

26 de Novembro de 2015
Quem vê os muros intransponíveis da Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, em Petrolina, nem imagina que o lugar onde os presos deveriam cumprir pena pelos crimes, na verdade vem sendo palco de orgias regadas a prostitutas que chegam a passar dias dentro da unidade prisional. A denúncia é das esposas dos detentos, as quais dizem não aguentar mais a “humilhação” de serem substituídas pelas prostitutas durante as visitas íntimas. Elas também querem saber como os maridos conseguem contratar as prostitutas fora do presídio. Vivendo a triste rotina de visitas prisionais há quatro anos, a comunitária Carolaine Magalhães conta que as prostitutas entram tranquilamente na penitenciária e algumas chegam a ficar dias “faturando” dentro do ambiente onde, pela regra, apenas as pessoas da família estariam autorizadas a entrar. A situação é tão crítica que, segundo relatos das esposas, alguns presos chegam a levar três prostitutas de uma só vez para dentro de sua cela. “Lá a coisa é um terror. É orgia. Todo mundo sabe a bagunça que é. Tem preso com dinheiro que chega a levar três prostitutas de vez para a cela. E elas [prostitutas] ainda saem contando vantagem, dizendo quanto faturaram com os maridos, que elas chamam de mercadoria”, conta uma das esposas. 

Prostituição e violência
As mulheres contam que o fato não acontece apenas nos dias destinados às visitas íntimas. Algumas prostitutas chegam a passar muito mais tempo dentro da penitenciária. “Há alguns dias eu fiquei sabendo que uma delas [prostituta] ficou foi mais de três dias lá dentro. E foi bem no meio da semana, quando ninguém tem direito a visitar preso nenhum”, disse a esposa. Para Patrícia dos Santos – que também é esposa de um detento – o caso precisa ser investigado para que as mulheres dos presos possam ter o mínimo de dignidade no momento de visitar seus maridos. “O que a gente quer saber é como é que uma prostituta bota o nome e entra no lugar da mulher do preso. Porque eles [agentes] não respeitam a gente, que muitas vezes vem de longe com sacolas pesadas com comida, filhos e tudo mais e não tem respeito. Aí a mulher vem para fazer a visita e quando chega, já tem outra. Como é que pode uma coisa assim?”, questiona. Um fato ainda mais intrigante da denúncia é que as prostitutas que mantêm relações sexuais com os detentos chegam a ameaçar e até agredir as esposas, quando não recebem o valor acertado pelo programa. “Elas [prostitutas] saem, tiram onda da cara da gente e ainda espancam e ameaçam as esposas do lado de fora, quando os homens não pagam. Eu mesma já vi mulher lá sendo espancada pelas prostitutas”, diz Carolaine. 

Controle ineficiente
Incomodadas com a situação, as mulheres dos detentos cobram da direção do presídio o porquê de as prostitutas terem acesso livre. “Eu só sei que elas chegam na fila, mostram um papel para os agentes e entram. Já denunciaram isso ao diretor e ele disse que ia investigar, mas até agora está tudo do mesmo jeito”, afirma Carolaine. As mulheres dos detentos dizem ainda que as prostitutas estariam tendo acesso ao cadastro de visitantes e assim conseguem uma suposta autorização para entrar no lugar das esposas. “Um dia desses uma colega minha foi para uma visita íntima ao marido e quando apresentou a ficha dela de cadastro, o agente disse que ele já estava com a esposa na visita. Quer dizer, a mulher vem de longe e quando chega é substituída pela prostituta”, relata. O diretor da unidade, Alessandro Barbosa, explicou à imprensa que cada detento tem direito a visita de cinco familiares, incluindo a visita íntima que é feita aos sábados. Para ter acesso ao pátio de visitas, os familiares precisam constar em um cadastro, que é feito pela administração do presídio mediante apresentação de documentos que comprovem o parentesco com o detento. As visitas acontecem aos domingos de 08h00 às 16h00. Sobre as denúncias, a Secretaria de Ressocialização do Estado (SERES) enviou uma nota à imprensa na qual informou que “as denúncias serão apuradas pela Gerência de Inteligência e Segurança Orgânica do município (Giso) e, se necessário, serão tomadas as devidas providências”. A Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes possui 417 celas e atualmente está com 1.341 detentos.

Fonte: Blog do Carlos Britto

Nenhum comentário:

Postar um comentário