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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Médicos denunciam suspensão de cirurgias no Hospital Universitário em Petrolina

22 de Outubro de 2015
Há quase sete meses, o mecânico Jaimeson Felipe Muniz Rodrigues sofreu um acidente de moto em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, e foi socorrido para o Hospital Universitário. Depois do primeiro atendimento e com quadro clínico estabilizado, os médicos informaram que o mecânico teria que passar por um procedimento cirúrgico. O que deveria durar poucos dias, já passa de seis meses. Segundo Jaimeson, ele precisou ficar internado no hospital aguardando a cirurgia. Mas, como estava demorando e por falta de espaço na unidade, ele recebeu alta. “Passei dois meses internado e agora estou aguardando em casa, porque aqui não tinha leito para ficar”, explicou. Sem data prevista para realizar o procedimento, três vezes por semana ele precisa retornar ao HU para fazer um curativo especial. Quando pergunta sobre a cirurgia, ele diz que a resposta é a mesma. “Eles dizem que não tem ortopedista, anestesista e falta material. Agora a minha vida fica assim parada, porque eu não posso sair de cima da cama”, desabafa. A situação detalhada por Jaimeson, é vista com frequência pelos médicos do HU. O residente de cirurgia-geral, Felipe Almeida, disse que há cerca de dois anos, as cirurgias eram realizadas diariamente. “Tínhamos um fluxo de cirurgias que se estendia por toda a semana. Em média, fazíamos de 14 a 15 cirurgias por semana, dando uma média de duas ou três por dia. Isso englobando hérnia, vesícula e cirurgias maiores. Agora, para se ter uma ideia, até o dia 25 do mês de setembro, o número de cirurgias eletivas realizadas pela cirurgia-geral, chegou a 14 durante todo o mês”, detalha. O profissional enfatiza que os principais prejudicados são os pacientes. “Temos o malefício causado para a população, porque, se há uma indicação de uma cirurgia para um tipo de doença, isso quer dizer que aquela doença pode trazer complicações para aquela pessoa. As complicações causam prejuízos aos pacientes. Eles terminam faltando no trabalho, desenvolvendo doenças mais sérias e pode levar até o óbito”, disse Felipe. Além dos riscos para os pacientes, os residentes reclamam das condições oferecidas aos profissionais. “O HU é um hospital de ensino, que aderiu a residência médica. Mas, os residentes ficam basicamente largados dentro do hospital, sem ter condições de fazer o que estão lá para fazer, que é aprender, operar, dar seguimento ao paciente, fazer o pré e pós operatório. É alto o número de cirurgias canceladas sem aviso prévio. As vezes o paciente viaja 400 KM, 500 KM, fica em jejum, faz todo o preparatório, e quando chega no dia, o hospital cancela. Tem pacientes aqui que já tiveram a cirurgia remarcada de sete a oito vezes. Isso acontece também com cirurgia vascular, neurocirurgia, bucomaxilo”, esclarece Felipe. 
Falta de anestesistas
Um dos principais problemas que levam as cirurgias a serem canceladas, é a falta de anestesistas. Os profissionais argumentam que a escala está defasada. “Temos hoje cerca de 12 ou 13 anestesistas contratados para fechar a escala da semana toda. Não da nem dois por dia. E no fim de semana temos apenas um por turno para dar de conta de tudo. Se chegar dois pacientes graves no fim de semana no Hospital Universitário, um deles vai morrer por falta de condição do hospital de dar suporte aquele paciente”, garante Felipe Almeida. O bloco cirúrgico também está funcionando aquém do que deveria. Para atender as seis salas, foram contratados apenas quatro técnicos de enfermagem. Na sala de recuperação, os médicos alegam que os leitos não são suficientes, contando basicamente com cinco camas. O superintendente do Hospital Universitário, Ricardo Pernambuco, admite que um dos principais problemas enfrentados hoje, sobretudo para os residentes de cirurgia-geral, é a falta de cirurgias eletivas. Para ele, a falta de anestesista é o motivo dos atrasos dos procedimentos. “Realmente nós estamos com um déficit importante por falta dos profissionais que necessitamos para as cirurgias, que são os anestesistas. Tivemos uma redução de cerca de 20% no último trimestre. Tivemos uma redução de 20% das cirurgias nos meses de agosto e setembro, se comparamos com julho”, argumenta. Ricardo Pernambuco também reconhece que hoje existe uma fila de espera de cirurgias. “As cirurgias estão represadas. Nós estamos trabalhando com as urgências. Temos hoje 60 pacientes no hospital aguardando cirurgias eletivas. Alguns pacientes estão no HU esperando já há 40, 50 dias. Isso tudo, porque apesar de termos feito um concurso local, específico para o nosso hospital, concurso nacional e um processo seletivo, nós não chegamos nem na metade dos profissionais que nós necessitamos”, enfatiza. Sobre a situação pela qual passa o hospital, Pernambuco diz que medidas já foram adotadas. “Estamos acionando a sede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) em Brasília e o Ministério Público, porque a tendência é piorar. A população deve saber que esse quadro caótico que nós estamos vivendo hoje, pode vir a piorar. Alguns colegas já estão sobrecarregados, não estão aguentando a carga de trabalho, dando hora extra para o hospital, tanto os ortopedistas, quantos os anestesistas e não está dando vencimento. Estão em vias de pedir demissão do emprego”, avalia o superintendente.
Fonte: G1 Petrolina e Região

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