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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O acesso à Univasf e a “exclusão” dos sertanejos

09 de Setembro de 2015
A proposta de um bônus na nota do Enem para os estudantes da região que concorrerem a uma vaga na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) representa uma luz no fim do túnel ou uma esperança para milhares de estudantes sertanejos que acreditam estar sendo “excluídos” da instituição. É que desde que o Enem foi adotado, a partir de 2009, como única forma de ingresso na Univasf, os estudantes da Bahia, Pernambuco e Piauí questionam-se por que estariam sendo expostos a uma concorrência nacional. Na última sexta-feira (05), em Petrolina, estudantes oriundos dos ensinos público e privado, pais de alunos e o vereador de Juazeiro (BA), Anderson Alves da Cruz, discutiram a temática. A luta dos estudantes é baseada, principalmente, na portaria nº 21/2012 do Ministério da Educação (ME) que editou o documento conferindo à universidade o direito de adotar eventuais bonificações à nota do estudante no Enem, como ação afirmativa de desenvolvimento regional. A UFPA e a Unifespa, ambas do Pará, por exemplo, adotam o bônus desde 2012 e, no último ano, 98% das vagas foram ocupadas por paraenses. No Nordeste já adotam bônus, dentre outras: a UFPE (Campi de Caruaru e Vitória de Santo Antão), a UFRN (Campus de Caicó) e a UFAL. Professores afirmam que nestas universidades as vagas têm sido preenchidas, majoritariamente, por jovens das respectivas regiões, o que, a médio e longo prazo, geraria um círculo de desenvolvimento profissional, uma vez que, quando graduados, esses jovens exercerão suas profissões no lugar onde sempre viveram. Mas no Vale do São Francisco os estudantes continuam à espera do tão sonhado bônus. Em vários depoimentos enviados à imprensa, grupos relataram que o reitor da Univasf, Julianeli Tolentino, em abril de 2015, teria prometido lutar para que o Conselho Universitário aprovasse um bônus de 20% até junho de 2015, coisa que não aconteceu. Diante da dúvida, os milhares de estudantes da região questionam até a independente política interna da Univasf e pressionam por uma resposta. Sobre a concorrência do Sisu 2014/ Enem 2013, os defensores do bônus querem saber, por exemplo, dos 505 estudantes/vaga dos cotistas e dos 189,5 candidatos/vaga dos cotistas, que tentaram entrar no curso de Medicina em Paulo Afonso. Qual a cidade em que os jovens aprovados cursaram o Ensino Médio, uma vez que o relatório da instituição não traz essas informações? Ainda em 2014, a Univasf abriu processo seletivo para reopção de curso, no qual constavam 498 vagas ociosas. Antes, em 2007 (quando o Enem não era adotado), houve edital para 103 vagas ociosas. Diante disso, os defensores do bônus querem saber de onde são esses estudantes que mais abandonam os cursos, gerando as vagas ociosas? A universidade já investigou o motivo de tanta evasão? A evasão gera prejuízo aos cofres públicos? Os representantes da classe estudantil esperam que antes do Conselho Universitário decidir em não adotar a bonificação para os alunos que cursaram todo o Ensino Médio nas escolas dos 256 municípios que integram as mesorregiões da Univasf, façam uma análise técnica sobre a situação do desempenho das escolas dos 246 municípios de suas mesorregiões no Enem 2014. Numa apreciação superficial, segundo os grupos, teria sido observado que as melhores escolas de algumas cidades onde a Univasf tem campi ocupam posições no ranking nacional, respectivamente: 1.368º lugar (melhor particular de Petrolina), 1.778º lugar (melhor pública de Petrolina), 3.835º lugar (melhor particular de Juazeiro), 3.986º lugar (melhor escola de Paulo Afonso, sendo pública federal) e 12.632º (melhor escola de São Raimundo Nonato, sendo pública estadual). Para os estudantes sertanejos, uma bonificação prevista em lei é, sobretudo no semiárido, nada mais que justiça social. Se for um bônus de 10% como adotou a UFPE, ou 20%, como defendeu o reitor Julianeli Tolentino, isso poderia ajudar os sertanejos estudiosos. Para os defensores do bônus, reconhecer a posição das escolas sertanejas no ranking nacional não seria desmerecê-las, e sim valorizar gestores, educadores, estudantes e suas famílias. No fundo, os estudantes desejam mesmo é que a Univasf acolha os milhares de sertanejos que a colocaram como meta de uma vida.

Fonte: Blog do Carlos Britto

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